Quem é você?
Os Primeiros raios de sol
refletem nos vidros de uma janela, meus olhos se fecham para essa iluminação
rejeitando toda luz mostrada a ele, um aroma etílico saindo de minha boca
resquício de uma noite cósmica onde o mundo era surreal e infeliz, um mundo
contraditório, tirado da prateleira de uma mercearia com cheiro de mofo. Em alguns momentos de
raciocínio, me perguntava até quando a mente de uma pequena existência poderia
continuar a viver nesse vil mundo... Mundo onde a maldade era ignorada, a
bondade era deixada de lado por um simples e arrogante sentimento... Em um belo
dia como uma taça de cristal se espatifando em incontáveis pedaços se dividindo
em existências tão pequenas e imperceptíveis, isso me assusta... Sim, como assusta.
Minha mente ainda enuviada, mas
agora posso sentir com clareza, era como uma grande prisão fria e pesando
toneladas uma pequena pedrinha de gelo sem, soltando infinitas gotas geladas
que escorriam pelo meu peito, o mais puro, verdadeiro e sujo sentimento de uma
vida, é tão amargo que adocica a boca, a pequena angustia mais uma vez estava
sobre minha vida... Para que propósito? Para que tanta solidão? O que fazer
agora? Onde você esta? Tantas perguntas sem respostas.
Coloco meus pés no chão,
garrafas rolam atropelando pequenas guimbas de cigarro amassadas em meio às
cinzas. Penso em como meu mundo é solitário e um pequeno sorriso aparece em meu
rosto junto com uma lagrima quente escorrendo pelas bochechas, preciso de
alguém ao meu lado? Preciso preencher esse vazio que me tortura a cada dia?
Procurar alguém para amar em minha mente é o mesmo que andar em uma estrada de
cacos de vidro coberta por pétalas de rosas. Quantas serão as pessoas
predestinadas que me fariam me machucar por elas?
Levanto-me e sinto o frio congelando minha alma, pelado como um bebe
que acabou de vir ao mundo arrancado contra sua vontade do aconchego quente
dentro da barriga segura de sua mãe, dou alguns passos e ligando o som e Manic
Depression corta o silêncio me fazendo relaxar e me fazendo pensar em como
realmente é uma grande depressão maníaca viver nesse mundo onde somente o nada
me faz sentido. Furando e cortando minha alma em vários buracos, mas a coragem me da forças a continuar a
esperança me ajuda a preencher parte do vazio, mas até quando?
Coloco minhas
calças, Visto minha simples camisa cortado camisa e calço meu velho tênis,
pensando em como encontrarei um caminho, onde estará o meu Valhala? Seguirei a
procura de um caminho olhando para traz e me lembrando de cada acontecimento,
absorvendo, buscando a consciência de um de uma vida.
A ultima tragada,
junto com a fumaça um momento de esclarecimento acontece, percebendo o quanto
os sentimentos são artificiais, desejos me arrastam a uma felicidade facilmente
embaçada pela realidade de uma vida amarga, pela falta de do ser ou do querer.
No fim das contas o que eu quero é passar despercebido, não quero viver em
sistemas, não quero viver ideias, não quero viver como família. Não quero mais
papos intelectuais, não quero uma religião ou Deus ao meu favor, não quero
parecer um cara legal, não quero viver em padrões de vida que me enojam... Não
quero a sua opinião sobre como devo agir para ser feliz, não quero seguir por
um caminho já trilhado.
Sempre fui um
cara que idiota. Principalmente comigo mesmo, fingia não entender alguma coisa
simples só pra não ver a realidade... Sempre ignorei a palavra compreensão até
o dia que esqueci o significado de tal palavra, desse dia em diante me sentia
como se tivesse sido abandonado em um labirinto. Perdido e abandonado por
alguém que não conseguia me lembrar de quem era, não me lembrava nem de seu
nome, não me lembrava de sua voz. Um dia vagava por esses labirintos e
encontrei um corredor que me causava certa nostalgia, quanto mais eu caminhava
por esse corredor mais forte essas nostalgias ficavam minha mente ficava mais
esclarecida, mas me causavam ânsia e um grande medo do que poderia existir no fim
desse corredor, eu me virava de costas e voltava para traz com um grande
desespero, eu sabia que estava abandonando algo que na verdade era minha
libertação.
Nunca soube o que
havia no fim desse corredor. Mas um dia em um surto de desespero por viver
sempre de mãos dadas com angustia, que me apunhalava todas as manhãs depois de
acordar, me furando com uma laminam espessa e gelada congelando a garganta e
peito, me sentia carregando um fardo de vergonha e culpa nas costas. Todo o dia
caminhava pelos mesmos caminhos, fazia desvios me exasperando em viver a rotina
de sempre, me sentia manipulado pelo medo e receio em descobrir o que havia no
fim. Mas eu já não me aguentava eu não queria mais viver com medo de saber o
que tinha no fim do corredor, a cada passo o suor me escorria pelo rosto a
mescla de medo e curiosidade eu já não me aguentava em pé era como se tivesse
andado por horas em um deserto com os raios de sol fritando meu cérebro, minhas
pernas estavam tão pesadas quanto chumbo, agora já estava engatinhava como um
neném, minha garganta tinha se fechado e o ar era tão denso, pesado e frio que
me fez pensar em duas alternativas, voltar para traz como um covarde e correr
para me afastar a maior distancia possível desse lugar, ou continuar e
descobrir por que eu tenho tanto medo do que posso encontrar.
Agora eu estava
agachado com a cabeça entre as pernas decidindo o que eu faria, fechei meus
olhos, respirei fundo e me levantei e dei um passo após o outro, minha decisão
era de esquecer todo o receio e seguir em frente sem esquivar, sem cortar
caminhos e sem olhar para traz com arrependimento. Agora eu vejo algo um pontinho
se movimentando de um lado para outro, mas seguia em frente era uma pessoa
caminha em minha direção ela cambaleava, mas tinha passos firmes e estava determinada
em atravessar o corredor.
A cada passo dado a
angustia aperta minha garganta cortando deixando quase nulo o ar inalado, o
cansaço era tanto que meus cílios não suportavam mais ficarem abertos, meus
braços pendiam e balançavam sem vida, o vento que batia em minhas pupilas frio
e pesado faziam com que meus olhos tentassem se fechar e rejeitar todos
acontecimentos, lacrimejavam como a água que brota de um buraco de nascente. Já
não tinha controle das lagrimas elas escorriam quentes pelo meu rosto minhas
lagrimas me aqueciam e iluminavam meu caminho, simplesmente perdi meu medo de
chorar.
Vejo o sujeito
alguns metros a minha frente caminhando um tanto quanto errante, seus passos eram
pesados, sua mão se abria e fechava compulsivamente. Enxergava suas expressões
faciais mudando como mágica, cada vez que nos aproximávamos ele sorria,
segundos depois se entristecia, voltava a não ter expressão alguma como se não
fosse nada e voltava a sorrir e entristecer. Esse looping de emoções estava me
enlouquecendo, eu não queria mais estar ali.
Agora estávamos parados
diante um do outro, o rosto fantasmagórico me fitava e eu podia sentir a mescla
de cheiros exalados por ele, um leve e adocicado cheiro adocicado de flores em
um campo de mato seco que me causava uma leve sensação de libertação e o cheiro
azedo de frutas podres me dava sensação de desistência e medo novamente eu me
pergunto por que estou aqui.
Depois
de muita relutância nossos olhos se cruzaram algo súbito aconteceu, uma pequena linha de raciocínio, eu
ainda não compreendia quem era aquela pessoa, mas de alguma forma era eu. Eu
não me reconhecia de maneira alguma a curiosidade e medo transbordaram. Eu sentia
tristeza, me olhava e sentia repulsa, sentia piedade dessa forma decrepita de
eu parada de frente para eu mesmo, gritava e o amaldiçoava eu o odiava. Mas
momentos depois eu simplesmente me sentia feliz por estar ali naquele momento,
sentia amor por eu, sentia vontade de me olhar novamente nos olhos.
Analisei tudo a o meu
redor, o mundo estava destorcido, as coisas não tinham mais sentido certo ou
errado, uma formiga caminhava no peitoril de uma janela “... Morte tu que és
tão forte, que matas o gato o rato e o homem...” o medo e o entendimento, o
vento trazia uma choro um tanto risonho aos meus ouvidos, no céu uma gota caia
e eu podia enxergar seu pequeno rosto e dele uma lágrima, tudo fazia sentido,
porem tudo era nada.
Olhei para o sol e dei um sorriso, olhei
dentro de meus próprios olhos e um flash de luz surgiu. Meu corpo já não estava
mais tão pesado podia mover meus braços e pernas, podia gritar ou sussurrar, me
sentia vivo e compreendi quem eu não era, eu não era a coragem ou a falta dela,
não era o amor e nem o ódio, não era a compreensão ou a confusão, não era o bem
ou o mal, não era o certo ou errado, não era o inicio e nem o fim, mas sim o
meio. Fazia parte do aleatório, algo incompreensível que tomava suas decisões e
não tinha ideia do que aconteceria futuramente. O mundo se ofuscou e meus olhos
se abriram.
Os Primeiros raios de
sol refletem nos vidros de uma janela, meus olhos se abrem para essa iluminação,
toda luz mostrada a ele era revigorante, tive um sonho, mas não me lembrava de
nada e nem me importava, nada mais me importava eu era triste, feliz,
maravilhoso, feio, inteligente, ignorante, odiado e amado, eu era o eu livre.




