Quinta-feira, Março 8

Ilumimiminação


Quem é você?

                Os Primeiros raios de sol refletem nos vidros de uma janela, meus olhos se fecham para essa iluminação rejeitando toda luz mostrada a ele, um aroma etílico saindo de minha boca resquício de uma noite cósmica onde o mundo era surreal e infeliz, um mundo contraditório, tirado da prateleira de uma mercearia  com cheiro de mofo. Em alguns momentos de raciocínio, me perguntava até quando a mente de uma pequena existência poderia continuar a viver nesse vil mundo... Mundo onde a maldade era ignorada, a bondade era deixada de lado por um simples e arrogante sentimento... Em um belo dia como uma taça de cristal se espatifando em incontáveis pedaços se dividindo em existências tão pequenas e imperceptíveis, isso me assusta... Sim, como assusta.

              Minha mente ainda enuviada, mas agora posso sentir com clareza, era como uma grande prisão fria e pesando toneladas uma pequena pedrinha de gelo sem, soltando infinitas gotas geladas que escorriam pelo meu peito, o mais puro, verdadeiro e sujo sentimento de uma vida, é tão amargo que adocica a boca, a pequena angustia mais uma vez estava sobre minha vida... Para que propósito? Para que tanta solidão? O que fazer agora? Onde você esta? Tantas perguntas sem respostas.

               Coloco meus pés no chão, garrafas rolam atropelando pequenas guimbas de cigarro amassadas em meio às cinzas. Penso em como meu mundo é solitário e um pequeno sorriso aparece em meu rosto junto com uma lagrima quente escorrendo pelas bochechas, preciso de alguém ao meu lado? Preciso preencher esse vazio que me tortura a cada dia? Procurar alguém para amar em minha mente é o mesmo que andar em uma estrada de cacos de vidro coberta por pétalas de rosas. Quantas serão as pessoas predestinadas que me fariam me machucar por elas?

Levanto-me e sinto o frio congelando minha alma, pelado como um bebe que acabou de vir ao mundo arrancado contra sua vontade do aconchego quente dentro da barriga segura de sua mãe, dou alguns passos e ligando o som e Manic Depression corta o silêncio me fazendo relaxar e me fazendo pensar em como realmente é uma grande depressão maníaca viver nesse mundo onde somente o nada me faz sentido. Furando e cortando minha alma em vários buracos,  mas a coragem me da forças a continuar a esperança me ajuda a preencher parte do vazio, mas até quando?

                Coloco minhas calças, Visto minha simples camisa cortado camisa e calço meu velho tênis, pensando em como encontrarei um caminho, onde estará o meu Valhala? Seguirei a procura de um caminho olhando para traz e me lembrando de cada acontecimento, absorvendo, buscando a consciência de um de uma vida.

               A ultima tragada, junto com a fumaça um momento de esclarecimento acontece, percebendo o quanto os sentimentos são artificiais, desejos me arrastam a uma felicidade facilmente embaçada pela realidade de uma vida amarga, pela falta de do ser ou do querer. No fim das contas o que eu quero é passar despercebido, não quero viver em sistemas, não quero viver ideias, não quero viver como família. Não quero mais papos intelectuais, não quero uma religião ou Deus ao meu favor, não quero parecer um cara legal, não quero viver em padrões de vida que me enojam... Não quero a sua opinião sobre como devo agir para ser feliz, não quero seguir por um caminho já trilhado.

               Sempre fui um cara que idiota. Principalmente comigo mesmo, fingia não entender alguma coisa simples só pra não ver a realidade... Sempre ignorei a palavra compreensão até o dia que esqueci o significado de tal palavra, desse dia em diante me sentia como se tivesse sido abandonado em um labirinto. Perdido e abandonado por alguém que não conseguia me lembrar de quem era, não me lembrava nem de seu nome, não me lembrava de sua voz. Um dia vagava por esses labirintos e encontrei um corredor que me causava certa nostalgia, quanto mais eu caminhava por esse corredor mais forte essas nostalgias ficavam minha mente ficava mais esclarecida, mas me causavam ânsia e um grande medo do que poderia existir no fim desse corredor, eu me virava de costas e voltava para traz com um grande desespero, eu sabia que estava abandonando algo que na verdade era minha libertação.

             Nunca soube o que havia no fim desse corredor. Mas um dia em um surto de desespero por viver sempre de mãos dadas com angustia, que me apunhalava todas as manhãs depois de acordar, me furando com uma laminam espessa e gelada congelando a garganta e peito, me sentia carregando um fardo de vergonha e culpa nas costas. Todo o dia caminhava pelos mesmos caminhos, fazia desvios me exasperando em viver a rotina de sempre, me sentia manipulado pelo medo e receio em descobrir o que havia no fim. Mas eu já não me aguentava eu não queria mais viver com medo de saber o que tinha no fim do corredor, a cada passo o suor me escorria pelo rosto a mescla de medo e curiosidade eu já não me aguentava em pé era como se tivesse andado por horas em um deserto com os raios de sol fritando meu cérebro, minhas pernas estavam tão pesadas quanto chumbo, agora já estava engatinhava como um neném, minha garganta tinha se fechado e o ar era tão denso, pesado e frio que me fez pensar em duas alternativas, voltar para traz como um covarde e correr para me afastar a maior distancia possível desse lugar, ou continuar e descobrir por que eu tenho tanto medo do que posso encontrar. 

             Agora eu estava agachado com a cabeça entre as pernas decidindo o que eu faria, fechei meus olhos, respirei fundo e me levantei e dei um passo após o outro, minha decisão era de esquecer todo o receio e seguir em frente sem esquivar, sem cortar caminhos e sem olhar para traz com arrependimento. Agora eu vejo algo um pontinho se movimentando de um lado para outro, mas seguia em frente era uma pessoa caminha em minha direção ela cambaleava, mas tinha passos firmes e estava determinada em atravessar o corredor.

             A cada passo dado a angustia aperta minha garganta cortando deixando quase nulo o ar inalado, o cansaço era tanto que meus cílios não suportavam mais ficarem abertos, meus braços pendiam e balançavam sem vida, o vento que batia em minhas pupilas frio e pesado faziam com que meus olhos tentassem se fechar e rejeitar todos acontecimentos, lacrimejavam como a água que brota de um buraco de nascente. Já não tinha controle das lagrimas elas escorriam quentes pelo meu rosto minhas lagrimas me aqueciam e iluminavam meu caminho, simplesmente perdi meu medo de chorar.

            Vejo o sujeito alguns metros a minha frente caminhando um tanto quanto errante, seus passos eram pesados, sua mão se abria e fechava compulsivamente. Enxergava suas expressões faciais mudando como mágica, cada vez que nos aproximávamos ele sorria, segundos depois se entristecia, voltava a não ter expressão alguma como se não fosse nada e voltava a sorrir e entristecer. Esse looping de emoções estava me enlouquecendo, eu não queria mais estar ali.

            Agora estávamos parados diante um do outro, o rosto fantasmagórico me fitava e eu podia sentir a mescla de cheiros exalados por ele, um leve e adocicado cheiro adocicado de flores em um campo de mato seco que me causava uma leve sensação de libertação e o cheiro azedo de frutas podres me dava sensação de desistência e medo novamente eu me pergunto por que estou aqui.

           Depois de muita relutância nossos olhos se cruzaram algo súbito  aconteceu, uma pequena linha de raciocínio, eu ainda não compreendia quem era aquela pessoa, mas de alguma forma era eu. Eu não me reconhecia de maneira alguma a curiosidade e medo transbordaram. Eu sentia tristeza, me olhava e sentia repulsa, sentia piedade dessa forma decrepita de eu parada de frente para eu mesmo, gritava e o amaldiçoava eu o odiava. Mas momentos depois eu simplesmente me sentia feliz por estar ali naquele momento, sentia amor por eu, sentia vontade de me olhar novamente nos olhos.
          Analisei tudo a o meu redor, o mundo estava destorcido, as coisas não tinham mais sentido certo ou errado, uma formiga caminhava no peitoril de uma janela “... Morte tu que és tão forte, que matas o gato o rato e o homem...” o medo e o entendimento, o vento trazia uma choro um tanto risonho aos meus ouvidos, no céu uma gota caia e eu podia enxergar seu pequeno rosto e dele uma lágrima, tudo fazia sentido, porem tudo era nada.

          Olhei para o sol e dei um sorriso, olhei dentro de meus próprios olhos e um flash de luz surgiu. Meu corpo já não estava mais tão pesado podia mover meus braços e pernas, podia gritar ou sussurrar, me sentia vivo e compreendi quem eu não era, eu não era a coragem ou a falta dela, não era o amor e nem o ódio, não era a compreensão ou a confusão, não era o bem ou o mal, não era o certo ou errado, não era o inicio e nem o fim, mas sim o meio. Fazia parte do aleatório, algo incompreensível que tomava suas decisões e não tinha ideia do que aconteceria futuramente. O mundo se ofuscou e meus olhos se abriram.

          Os Primeiros raios de sol refletem nos vidros de uma janela, meus olhos se abrem para essa iluminação, toda luz mostrada a ele era revigorante, tive um sonho, mas não me lembrava de nada e nem me importava, nada mais me importava eu era triste, feliz, maravilhoso, feio, inteligente, ignorante, odiado e amado, eu era o eu livre.

Sexta-feira, Fevereiro 24

Poemas e mimimis 13

Seja Nada

Enquanto estou parado
Me sinto estagnoado
Olhando para o nada
Pensando de mente fechada
Penso em palavras
Penso em escadas
Penso na Descaida
Penso na Vida
Enquanto minha mente é espremida
Você rouba um pedaço
Você chupa meu bagaço
Mas você não pensa
Eu vivo em descrença
Não preciso de corteias
Eu não quero um Messias
Quero saber onde vou chegar
Quero algo para me confortar
Com um buraco em minha alma
Gotas de vida se esvaiando
Idéias se formando
Vivendo e se manifestando
Vivendo e desacreditando
Fé não é o suficiente
Copiar é ser algo condizente
Não copiar é ser vazio
Seja nada, viva nada
Sua vida não é encaixada
Brilhando em uma noite gelada
Recebendo o sol em uma escada
Pensando em nada.
                                          Guto

Poemas e Mimimis 12

Perguntas difíceis, respostas fáceis

Até quando teremos respostas...
Respostas... Fáceis para perguntas difíceis?
Guiados por medos nos escoramos em mentiras,
até quando esperaremos por um messias?
Até quando Deus será a reposta?
Sempre teremos medo de questionar?

Por que tudo é tão chato?
Porque tudo é tão enjoativo?
Onde Esta o viver?
onde esta a verdade?
Onde esta a Imortalidade?

Onde nós vamos chegar?
Até onde iremos recuar?
Até quando iremos nos magoar?
Por que temos que nos isolar?
Quem vamos louvar?
Aonde tantas perguntas vão nos levar?

Onde esta a Bondade?
Onde esta a Maldade?
Onde esta o Amor?
Onde esta a caridade?
Por que tanta futilidade?

Vejo o tempo passando,
Vejo o tempo perdido,
Vejo como tudo esta fodido...
Já não vejo mais sentido...

                                 Guto

Poemas e mimimis 11

Sua Liberdade,  Minha Liberdade

Apenas um sopro em minha existencia,
me faz enchergar que...
há algo alem do horizonte,
MINHA VIDA NÃO É QUERER PARA MIM E SIM PARA NÓS.
LIBERDADE QUE ME FAZ ENXERGAR OPÇÕES.
LIBERDADE QUE ME INFECTA,
PENSAMENTOS QUE ME ILUMINAM NA ESCURIDÃO,
LIBERDADE QUE ME FAZ QUESTIONAR,
CADA GRÃO DE AREIA NO UNIVERSO...
Liberdade um pequeno sopro em paginas em branco.
Varios sopros que se tornaram uma tempestade!
LIBERDADE QUE ME FAZ LIVRE,
PARA IMAGINAR O AMANHÃ, A REVOLUÇÃO.
LIBERDADE QUE ME FAZ SEGUIR O CAMINHO DA RAZÃO,
LIBERDADE QUE ME FAZ QUESTIONAR A RAZÃO...
A TINTA DE UMA CANETA QUE ME FAZ ESCREVER.
Sobre oque eu quero para mim e você.
Ser LIVRE para aprender,
Ser livre para Crescer,
Ser Livre para envelhecer,
Livre para viver e morrer...

                                         Guto

Sexta-feira, Janeiro 27

Ser Estranho ou Excentrico?

Quando você é estranho e faz coisas estranhas e é rico ou um mendigo aplaudem e gritam querendo
mais te chamando de excentrico.
Quando é normal, porem estranho a ponto de chegar no ponto da indiferença, você ta fodido...
Você não vai passar de um estranho sem sentido algum. sem sucesso você é estranho, com sucesso é excentrico.
Mas existe outra opção que acontece depois de morrer...
Você morre, alguem vai mecher nas suas coisas e acha suas estranhezas,
daí todos começam a enxergar um sentido. (sentidos que nem mesmo você conseguia perceber.)
Alguem começa a pensar mais seriamente em suas estranhezas e te chamam de artista...
De acordo com a época vão dar um nome pra sua arte e uma caracteristica,
"um artista da era mesopotâmica que pintava com um pinto, vamos chamar de Pintosopotamia".
Mas eu vivo (ou vivi?) no século XXI nada é importante nesse tempo nenhum movimento fez alguma diferença
artisticamente... (pelo menos no inicio to sendo afobado)
Nessa época já somos felizes com a quantidade de coisas estranhas e banalidades da vida cotidiana.
Uma merda de época, quem sabe a morte resolva de uma vez por todas extinguir a vida?
Comecei a ficar repetitivo, repararam? Falando de coisas angustiantes, morte e mimimis, mortificantemente
chatas essas coisas (lembrando que minhas estranhidades, que um dia podem virar excentricidades ou simplesmente
cair no esquecimento, são bem angustiantes e idiotas).
Tem um problema que enfrentamos nesse século apagado que eu vivo (ou vivi... comentar esse "vivi" toda hora pode banalizar
e fazer parecer uma carta de suicídio e que nojo eu tenho dessas coisas!) é que 90% das coisas que eu faço essas
coisas é em um computador, outros 10% ficam em um bloco de notas sujo junto com uma caneta (azul), que fica na minha bolsa.
Sim eu uso uma bolsa... (Ela é colorida e vivem me dizendo que pareço um hippie usando ela.)
Fica fácil encontrar coisas estranhas hoje em dia já que nossos meios de comunicação são simples e rápidos dai tudo fica
banal...
E isso me faz chegar a outra coisa enjoativa e chata desse século você sempre é taxado como algo, isso é estranho parece
que nunca sei oque eu sou de verdade causa um pouco de confusão e perca de personalidade, mas foda-se isso tudo no fim
das contas sou um reclamão!

Quarta-feira, Janeiro 11

Manifesto Distribuido No Primeiro Show de Raul Seixas São Paulo 1973

Eram distribuidas folhas com esses tópicos no show do nosso grande Raul Seixas e todos essas folhas foram confiscadas pela policia federal e consumidas, mas ideias ficaram!

1 - O espaço é livre. Todos têm direito de ocupar seu espaço.

2 - O tempo é livre. Todos têm que viver em seu tempo, e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.

3 - A colheita é livre. Todos têm direito de colher e se alimentar do trigo da criação.

4 - A semente é livre. Todos têm o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.

5 - Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.

6 - "Todos nós" somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e careta, sábios e loucos.

7 - E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.

Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.

Raul Seixas não era um gênio, não era um guru, não era um messias, era um homem que buscava um sentido em sua vida, foi acusado de ser adorador do demônio por esconder do governo da época o que realmente era a sociedade alternativa, com suas letras aparentemente complicadas ele teve o poder de descapsular mentes durante todas gerações de pequenas crianças curiosas com o ritmo gostoso de suas musicas (pelo menos era meu caso quando escutei Sociedade Alternativa e em seguida Al Capone).

Raul foi um homem sonhador como todos nós somos queria um mundo melhor em que a única "lei" tecnicamente seria o respeito "Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei", era um homem tão comum que tinha a bebida como bengala (durante momentos de tristeza?), tão comum a ponto de saber versículos da bíblia de cor, tinha medo da morte como qualquer um de nos, sua influencia se espalha pelo Brasi el suas ideias trabalhadas.

Uma Nova Concepção Divina

Uma nova concepção divina, minha fé em Deus nunca mais estará submissa a angustia, minha esperança em eu mesmo transbordará!

Quando me faltar fé buscarei em você meu pai! Que não me falte compreensão para resolver problemas humanos, não me falte caridade com meus semelhantes, não me deixe cair nas garras da arrogância, me de voz para defender, me de o olhar divino com ele me guiarei por caminhos escuros. Não te abandonarei, assim como sempre acreditarei que você sempre estará ao meu lado se fortificando com minha fé, até o dia em que novamente nos juntarmos novamente como uma única existência completa em paz interior, uma existência encapsulada em amor e esperança onde ficaremos até o dia em que aprendermos a viver em respeito com nossas vidas e principalmente a de meus irmãos.

Obrigado por esse entendimento, obrigado pela paz, acreditarei em mim e em meus semelhantes, influenciaremos gerações até o fim dos dias em busca de amor, ensinaremos que um dos princípios para se viver em comunidade é o respeito e não o medo. Viveremos com princípios que serão respeitados e não leis criadas para serem temidas, em harmonia com você meu pai nós viveremos, calados serão os gritos histéricos da ganancia que vive em nosso peito. Viveremos verdadeiramente a autonomia que nos foi oferecida, abriremos nossos olhos e juntos escolheremos, se fizermos a escolha errada nos de a mão para nos reerguermos e começarmos novamente. Jamais usaremos o absolutismo para causar o mal em qualquer forma de vida.

Meu pai, faremos isso por nós e por todos e aguardaremos sem ansiedade o momento em que a morte descida nos guiar até nosso encontro.